O almoço se dava exatamente com o término da aula. Os passos indicavam a fome e quase sempre as irmãs voltavam apressadas da escola. Na esquina perto de casa o cheiro do tutu era inegável e logo causava a indagação: hoje é suco ou sobremesa?
Todos se punham a mesa. O pai, com o uniforme azul da fábrica, a mãe, ansiosa e preocupada em sua dupla função, e as meninas sempre combinando, seja na fome, na roupa ou nas birras. E todos comiam o verde, o preto, o branco e “ai ai ai” o pai dizia se sobrasse algo no prato.
Costumava dizer que quando crescesse iria fazer o que queria. Realmente não sabia o que dizia. Foi na infância, naquela casa e com o trio o tempo onde eu era o que queria e reinventava o que se era, na lúdica maravilha que é ser criança.

